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Convento de Cristo - Tomar

Descrição

Visita Cultural a Tomar a convite do nosso associado José Ribeiro Mendes

O dia iniciou-se com uma visita ao Convento de Cristo, na qual tivemos a oportunidade de ter a Directora do Convento, Dra. Ana Carvalho Dias, como guia deste grupo de Ex- deputados. Nesta visita tivemos oportunidade de conhecer os pormenores do Convento e a sua história.




O Convento de Cristo está integrado no Castelo e  foi construído a partir da Charola no século XII. O Convento deu abrigo à Ordem de Cristo a partir do séc. XIV. Este edifício encerra memórias de figuras incontornáveis da nossa História como o Infante D. Henrique , que mandou construir dois claustros, para além da sua própria residência. Do tempo de D. Manuel I e do seu filho D. João III , que se tornou rei de Portugal nas cortes de Tomar , mandou concluir o claustro principal e levou a cabo outras obras como o Aqueduto de Pegões.

Segundo a história Tomar nasce com o castelo (1 de Março de 1160), cuja construção, pela Ordem dos Templários, bem como a da Vila de Baixo, se prolongou por 44 anos. No século XIV, com a permanência do Infante D. Henrique enquanto Administrador da Ordem de Cristo, a Vila beneficia de grande desenvolvimento.

No período da dominação filipina, os Reis espanhóis investem em Tomar: obras do Claustro Principal do Convento e Aqueduto dos Pegões, bem como a criação da ainda existente Feira de Santa Iria. Mais tarde, na sequência da visita da Rainha D. Maria II, Tomar foi elevada à categoria de Cidade em 1844, a primeira do Distrito de Santarém.



Pormenor da calçada antiga no Claustro da Micha


Em 1983, a UNESCO reconheceu o conjunto Castelo Templário-Convento de Cristo como Património Mundial e no início dos anos 90 deram-se os primeiros passos para a recuperação e consolidação do Centro Histórico.


Pertencente na sua origem à Ordem dos Templários, fundado em 1160 pelo Grão-Mestre dos Templários, Dom Gualdim Pais, o Convento de Cristo ainda conserva recordações desses monges cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede.

Sob ordens do Infante D. Henrique o Navegador, Mestre da ordem desde 1418, foram construídos claustros entre a Charola e a fortaleza dos Templários, mas as maiores modificações verificam-se no reinado de D. João III (1521-1557). Arquitectos como João de Castilho e Diogo de Arruda procuraram exprimir o poder da Ordem construindo a igreja e os claustros com ricos floreados manuelinos que atingiram o máximo esplendor na janela da fachada ocidental.

O Convento de Cristo trata-se de uma construção periurbana, implantada no alto de uma elevação sobranceira à planície onde se estende a cidade. Está circundado pelas muralhas do Castelo de Tomar e pela Mata da Cerca.

A arquitectura partilha  traços românicos, góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos.



O núcleo do mosteiro é a Charola do século XII, o Oratório dos Templários. Tal como em muitos dos seus templos, baseia-se na Rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém, adaptada pelo Infante D. Henrique. Em 1356, Tomar passou a ser a sede da Ordem de Cristo em Portugal, e a decoração da Charola reflecte a riqueza da Ordem. As pinturas e frescos (quase só cenas bíblicas do século XVI) e a estatuária dourada sob a cúpula bizantina, foram cuidadosamente restauradas. Quando foi construída a igreja manuelina, esta ficou ligada à Charola por uma arcada.

A Charola, poligonal, é o centro do conjunto de edificações, culminando-as visualmente. A norte e a este estão a Sacristia, os claustros do Cemitério e da Lavagem, as ruínas dos Paços, as Enfermarias e ainda a Sala dos Cavaleiros e a Botica.

A oeste, a igreja, os claustros e as dependências conventuais. A norte pontifica a Portaria Real, entre o corpo das Enfermarias e Hospedaria. A fachada sul está realçada pela arcaria do Aqueduto dos Pegões, apoiada numa plataforma rústica, que corresponde ao corpo do Claustro dos Corvos, Dormitórios e Claustro de D. João III.

No que diz respeito à planta da igreja, é composta por dois corpos diferentes: a Charola, actual capela-mor, e o corpo da nave, que se adapta ao desnível do terreno para oeste, onde possui três registos assentes num forte embasamento e marcados por frisos decorativos envolventes, com decoração naturalista emblemática manuelina. No interior, a nave é coberta por uma abóbada polinervada de combados de João de Castilho.




Em relação aos claustros estes  são originalmente góticos, com estrutura de arcadas quebradas sobre colunas grupadas. Já a nave manuelina de espaço unificado está coberta com abóbada rebaixada. As janelas, frisos e platibandas têm corpo manuelino com decoração vegetalista, enquanto a planta do conjunto monacal quinhentista parece inspirar-se na do Ospedale Maggiore, em Milão.

Iniciado nos anos 50 do século XVI por João de Castilho e substituído em parte por Diogo Torralva, o Grande Claustro reflecte a paixão de D. João III pela arte italiana. Escadas em espiral ocultas nos cantos conduzem ao Terraço da Cera.

O Claustro da Lavagem é quadrangular de dois pisos; o Claustro do Cemitério é quadrangular, com um piso com cinco tramos por ala. Os claustros de João de Castilho: o Claustro da Micha é quadrangular com quatro alas, enquanto o dos Corvos é também quadrangular, mas com duas galerias de dupla arcada separadas por contrafortes. Por último, o Claustro de D. João III é ainda quadrado, com chanfros nos ângulos. O Refeitório é rectangular, com abóbada de berço com nervuras formando caixotões quadrados. O Dormitório está disposto em cruz, com dois grandes corredores. Existem ainda o Claustro da Hospedaria e o Claustro de Santa Bárbara, quadrado, com quatro arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso, o Claustro dos Corvos, o único com jardim e o Claustro das necessárias.




A janela do Capítulo -

Imponente conjunto escultórico e arquitectónico, a Janela da Sala do Capítulo, inserida na fachada ocidental da igreja manuelina, foi executada por Diogo de Arruda, entre 1510 e 1513, segundo o programa iconológico definido pelo rei D. Manuel I. Símbolo de um período histórico que marca a expansão dos Portugueses para além das suas fronteiras, afirma-se hoje em dia como um dos mais excelsos exemplos da arte manuelina.

O Conjunto Monumental

Em suma, o Conjunto Monumental que o Convento de Cristo representa, começa com a construção do Castelo Templário em 1160, em simultâneo com a edificação da Charola, oratório templário, que se conclui no final do século XII. A casa-mãe Templária, no Reino de Portugal, permanecerá em Tomar cerca de 130 anos.

A extinção da Ordem do Templo, em 1312 dá origem, em Portugal, no reinado de D. Dinis, à Ordem de Cristo, que ocorrerá em 1319.

A Ordem de Cristo, herdeira dos bens, graças e privilégios, que haviam pertencido aos Templários, dá início a um dos períodos de ouro da nossa história, os Descobrimentos, que desencadeia o processo de abertura de Portugal ao mundo.

O Infante D. Henrique, o Navegador, manda construir em 1420, o seu Paço sobre parte da antiga casa militar templária e ampliar as instalações conventuais com dois novos claustros, o da Lavagem e o do Cemitério. Este Príncipe da Casa de Avis, também Administrador da Ordem de Cristo, aqui terá delineado a sua estratégia da Expansão, baseada nos conhecimentos e tecnologias herdados da Ordem do Templo.

D. Manuel I, Rei e Governador da Ordem de Cristo, beneficiando das riquezas de além-mar, que o início do século XVI ocasionara, renova o Convento de Tomar e inicia um discurso decorativo que celebra a mística da Ordem de Cristo e da Coroa Portuguesa numa grandiosa alegoria de poder e de fé.

D. João III, impõe a reforma da Ordem de Cristo, com a regra de clausura, ampliando o Convento de Tomar, de modo a albergar a comunidade de Frades, transformando-o numa sumptuosa obra de arquitectura, mais tarde rematada com o magnífico Aqueduto, que Filipe II de Espanha manda edificar.




Fonte da informação: http://www.conventocristo.gov.pt/pt/index.php




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